sexta-feira, 29 de maio de 2009

Se é ou não recíproca (Camilo Mendéz)

Se é ou não recíproca,
Minha paixão não deixa de luzir,
Assim, de forma inequívoca;
Assim, como eu quero, multívoca.

Gerar um ente aflito,
É o que se deve fazer da paixão,
Assim, num poema maldito;
Assim, como se abafa um grito.

Para que, mais tarde,
Livre, vá roçar pescoço a pescoço,
Assim, a ofegos e alardes;
Assim, de pronto e sem apartes.

E depois, uma lástima,
Caia exausta, trêmula e chorosa,
Assim, nossa cria pávida;
Assim, nosso terror orgástico.

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