domingo, 7 de junho de 2009

"It was you, Charley", em "On the Waterfront", 1954 (Bud Schulberg, Elia Kazan, Marlon Brando, Rod Steiger e Leonard Bernstein)






"On the waterfront" chegou ao Brasil com o nome "Sindicato de ladrões" e é uma versão que eu gosto para o título. É bobagem dizer que Marlon Brando foi o melhor ator que eu já vi, mas digo. Outra bobagem é dizer que considero Brando um dos maiores artistas a que a humanidade deu cria, mas considero. O filme tem roteiro de Bud Schulberg, direção de Elia Kazan e música (fundamental) de Leonard Bernstein. Para combinar com o texto ordinário, escolhi a cena mais famosinha do filme, mas foda-se, é boa demais para ser lugar-comum. Nela, Brando (Terry Malloy) contracena com Rod Steiger (Charley Malloy). Pra entender a cena é importante saber que: Terry, irmão mais novo de Charley, foi um boxeador que poderia ter ido longe na carreira; Terry e Charley fazem parte do sindicato mafiosinho que controlava o porto (acho que de Nova Iorque); Charley foi incumbido pelo chefão a não deixar que Terry caguetasse (eu sabia que ia sentir falta do trema um dia) o esquema e os assassinatos cometidos pelo sindicato; eles estão num carro que Terry acreditava dirigir-se ao Garden (um estádio de boxe), mas foi lorota do Charley para levar Terry ao endereço onde estava a galerinha do mal; e, no caminho, Charley tenta convencer Terry a aceitar um cargo lá dentro e ficar de boquinha calada.
Durante a tentativa de persuasão, Charley joga na cara de Terry que ele devia ter mais ambição e lamenta o fracasso da carreira do boxeador.
Pronto, a beleza da coisa está na descarga emocional de Terry (e Brando) pra cima do irmão. O contra-argumento, a flor peçonhenta da retórica, reativa o pugilista e liquida a contenda. Descartar uma nova venda de si mesmo não redime a anterior, mas faz prodigiosa a natureza humana da personagem, que depende, como nós, dos "com quem", "quando", "como", "por quê" e "onde" para agir. Viva Brando, viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu.

Tradução:
Charley - Quanto você pesa, garoto? Quando você pesava 76 quilos, você era lindo. Você poderia ter sido outro Billy Conn. O safado que a gente arrumou para te treinar te derrubou muito cedo.
Terry - Não foi ele, Charley. Foi você! Lembra daquela noite no Garden, quando você foi ao meu vestiário e disse: "Rapaz, esta não é sua noite. Vamos apostar em Wilson." Lembra-se disso? "Esta não é sua noite!" Minha noite! Eu podia ter derrubado Wilson! O que aconteceu? Ele foi disputar o título e eu ganhei o quê? Uma passagem para o fundo do poço! Como meu irmão, você deveria ter cuidado mais de mim, Charley. Não deveria ter deixado eu entregar a luta por uns trocados.
Charley - Ah, mas eu fiz algumas apostas em você. Você também ganhou algum dinheiro.
Terry - Você não entende! Eu poderia ter sido muito mais! Eu poderia ter sido um lutador! Eu poderia ter sido alguém, em vez do vagabundo que eu realmente sou! Vamos encarar isso. Foi você, Charley.

Em 1980, parte do texto da cena foi declamada por Robert DeNiro, no papel de Jake LaMotta, no final de Touro Indomável. LaMotta também vendeu derrotas para fraudar apostas.

Um comentário:

adelaide amorim disse...

Tou gostando das postagens, viu?
Bjins.